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Mitos e Positividade

Myths, whether in written or visual form, serve a vital role of asking unanswerable questions and providing unquestionable answers. Most of us, most of the time, have a low tolerance for ambiguity and uncertainty. We want to reduce the cognitive dissonance of not knowing by filling the gaps with answers. Traditionally, religious myths have served that role, but today — the age of science — science fiction is our mythology.” Author – Michael Shermer

Elliot

"Between the idea
And the reality
Between the motion
And the act
Falls the Shadow
For Thine is the Kingdom"

Fragmentos...

FRAGMENTO O fragmento consiste, ao mesmo tempo, no que resta, aleatoriamente, de uma obra antiga, como no caso dos filósofos Pré-Socráticos, ou da parte extraída, voluntariamente, de um livro ou de um discurso, que, reeditando citações, alusões, intertextos, enfim, constitui testemunho de algo que não se há de perder, ou, ainda, erige-se como forma privilegiada de texto, de que são emblema a obra dos românticos alemães, como Novalis (1772-1829) e o grupo de Iena, principalmente August Schlegel (1767-1845) Friedrich Schlegel (1772-1829), que recusam a totalização, bem como a escritura do filósofo Walter Benjamin (1892-1940), resultado de montagens, onde ficam evidentes a descontinuidade e o inacabamento (1985, p. 222-232). A estética da desconstrução retoma a estética do fragmento, inseparável da deslocação do “eu” e dos jogos da intertextualidade, o que a estética, em sua sinuosa história, vem reestruturando. Sob essa perspectiva, a obra fragmentária coloca-se sob a égide do inacabado e da opera aperta, anunciada por Umberto Eco, e de alguma incoerência apenas aparente, assimilando a escritura e a leitura ao não-acabado e à impossibilidade de reconhecer conjuntos formais ou ideológicos. Não abolindo o jogo da convergência, o texto fragmentário revaloriza o disparate como totalização, como o fazem, por exemplo, S/Z (1970), todo montado em “lexias” estelares, os Fragmentos de um discurso amoroso (1977a), bem como o Diário de luto - iniciado em 1978 e só vindo a lume em 2009 -, estruturado em fichas que fazem a elegia da mãe, todos livros do semiólogo Roland Barthes (1915-1980), e, nas modernas literaturas portuguesa e brasileira, a produção de Fernando Pessoa (1935-1988), sobretudo sob a máscara do semi-heterônimo Bernardo Soares, autor de O diário do desassossego (1982), e a criação de Mário de Andrade (1893-1945), cuja estética do inacabado enforma, supinamente, o póstumo O banquete (1978). Ainda no âmbito da literatura contemporânea brasileira, cite-se o romance Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969), de Clarice Lispector (1920-1977), que, com uma ousadia literária e criatividade ímpar, inicia-se com uma vírgula e termina com dois pontos, considerando a narrativa a ser contada como um fragmento da vida dos dois personagens, uma mulher (Lóri) e um professor de filosofia (Ulisses); pode-se, também, ver, nessa estratégia discursiva, uma figuração de todo livro como fragmento do Livro: todo livro remete ao arquétipo do Livro. Por sua vez, o Livro é alegoria do Universo. Os fragmentos exibem-se como espetáculo das impressões dos acontecimentos, dos testemunhos literários, da observação minuciosa, da história e da vida pessoal, transcrita, inscrita, reescrita em diários, em um “espaço autobiográfico”, de que fala Philippe Lejeune. A estética do fragmento recria um “espaço literário”, postulado por Maurice Blanchot (1907-2003), em que cintilam, significam, reverberam resíduos, traços, marcas dos discursos do ser humano. Daí, resulta um relativismo estético e histórico, que amalgama o criador e o leitor, no desenho da rede escritural, onde bailam os objetos percebidos, os signos lidos, relidos e interpretados, reinterpretados. Ficcionalizando-se e substituindo o “eu” narrativo pelo “ele” do discurso em Roland Barthes por Roland Barthes, o Autor pondera, na rubrica, precisamente intitulada “O círculo dos fragmentos”: “Escrever por fragmentos: os fragmentos são então pedras sobre o contorno do círculo: espalho-me à roda: todo o meu pequeno universo em migalhas; no centro, o quê? Seu primeiro texto ou quase (1942) é feito de fragmentos; essa escolha justifica-se então à maneira de Gide ‘porque a incoerência é preferível à ordem que deforma’. Desde então, de fato, ele não cessa de praticar a escritura curta: quadrinhos das Mythologies e de L’empire des signes, artigos e prefácios dos Essais critiques, lexias de S/Z, parágrafos intitulados de Michelet, fragmentos do Sade II e do Plaisir du texte” (1977b, p. 101). O leitmotif da estética do fragmento poderia ser o aforismo de Paul Klee (1879-1940): “Levar uma linha para passear”; no texto fragmentário, a linha também sonha, medita, pensa, traçando um labirinto, de onde não se deseja sair, como ensina o poeta mineiro Murilo Mendes (1901-1975), para quem o importante não é sair do labirinto, mas entrar nele. No fragmento, sobra tudo, exceto o essencial. Sob o signo do fragmento, não há tampouco sobras: o essencial resgata sobras e faz oferendas, primícias, primorosos frutos de uma linguagem-vida-linguagem. Testemunha do passado, que ajuda a compreender e a reconstituir, extrato de um livro, de um discurso, índice de uma crise do gênero, da totalidade, da obra, do sujeito, do autor e do leitor, espécie de gênero, que engendrou uma estética do fragmento, sem referência a uma organização globalizante, cunhado numa forma lapidar, como os provérbios, e, muitas vezes, paradoxal e circular, reação contra o estruturalismo, que privilegia os esquemas e sistemas, ou seja, objetos acabados e fechados, recuperado no pós-estruturalismo, que elege o inacabado, o fragmento, mesmo com sua origem milenar, ressurge como signo de uma certa modernidade em busca de uma nova linguagem num mundo onde a unidade e a certeza não são, definitivamente, evidentes.e onde vigem a aporia, as contradições, a fluidez, inscritas, como modos de dispersão e justaposição, no texto. No nosso mundo contemporâneo, a imprescindível ferramenta da Internet veio, sobretudo nos blogs e nos twitters, a reforçar e a potencializar a escritura fragmentária, o gênero fragmentário, a estética do fragmento, a virtualidade do fragmento, o texto descontínuo, o texto estilhaçado, hipertextualmente aberto a leituras, releituras, significações e ressignificações, porque todo texto rima com ruptura, episódio, interstício, projeto, gérmen, disseminação. De forma aforismática, Roland Barthes enuncia que “o texto (...) não é senão a lista aberta dos fogos da linguagem (esses fogos vivos, essas luzes intermitentes, esses traços vagabundos dispostos no texto como sementes e que substituem vantajosamente para nós as “semina aeternitatis”, os “zopyra”, as noções comuns, as assunções fundamentais da antiga filosofia)” (1996, p. 25). Extraído de O prazer do texto -opúsculo, ele mesmo, “borboleteante”, feito com “potente jato de palavras”, “com rajadas de linguagem”, com átomos -, esse fragmento revela que o prazer é inconcluso, inacabado, descontínuo: o corpo erótico e o corpo do texto têm, sempre, a marca da lacuna. Bibliografia ANDRADE, Mário. O banquete. 2.ed. São Paulo: Duas Cidades, 1989. BARTHES, Roland. S/Z. Paris: Seuil, 1970. BARTHES, Roland. Fragments d’un discours amoureux. Paris: Seuil, 1977a. BARTHES, Roland. O prazer do texto. Trad. J. Guinsburg. 4.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. BARTHES, Roland. Roland Barthes por Roland Barthes. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 1977b. BARTHES, Roland. Journal de deuil. Paris: Seuil, 2009. BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1985. LACOUE-LABARTHE, Philippe et NANCY, Jean-Luc. L’absolu littéraire. Théorie de la littérature du romantisme allemand. Paris: Seuil, 1979. LISPECTOR, Clarice. Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Sabiá, 1974

The Abilene paradox

Y U NO AGREE TO DISAGREE?

"Organizations frequently take action contrary to the desires of their
members, and thereby defeat the very purpose they set out to achieve."
--Dr. Jerry B. Harvey

Moeda de troca no Cantr...

A moeda de troca no cantr, ao contrário do que acontecia no Ultima Online, está muito longe de ser o "respeito" - do tipo - "tem medo de mim senão mato-te" .

E isso é pena!

Vou tentar fomentar mais isso no jogo

O que é um acto de criação?...

Foi a pergunta colocada por um amigo meu.
A resposta que me surgiu na altura foi a seguinte.

"Um acto de criação pode querer dizer varias coisas consoante o contexto em que tentarmos usar esse termo.
Contudo, penso que em todos os casos é um acto que se pode enquadrar num grupo de actos com uma característica própria dos mesmos.
Diria que em todos eles existe uma tensão de significados entre o antes e o depois, ou seja, quando se está a criar - no momento da criação - existe (ou costuma existir) um certo suspense de antecipação de qualquer coisa nova. Se comparar-mos com aquele fenómeno que as pessoas costumam referir de ver a vida toda passar-lhes pela consciência nos poucos segundos em que enfrentam uma situação de morte iminente, diria que no caso do suspense da criação, esses flashes prendem-se com a visualização do antes e do depois, da confrontação entre a não existência e a emergente existência. Neste confronto, pesa sobre a não-existência a negação de tudo aquilo que a existência poderá trazer (ou pelo menos tudo aquilo que o criador pensa que poderá trazer) e diria que no outro lado do espelho, pesa sobre a existência eminente a duvida de se saber se aquilo que o projectista/criador pretende criar e imagina irá mesmo acontecer, e ainda mais do que isso - penso que uma parte importante também para o criador neste momento é a sua antecipação acerca da possibilidade de acontecerem coisas que ele não planeou, ou que apenas intui muito vagamente naquele momento. Ou seja, há uma espécie de esperança aqui de que o momento da criação contenha na própria mecânica do seu acontecimento umas propriedades, uns ingredientes mágicos que possibilitem o surgimento de coisas muito especiais, preciosas, geniais - coisas que o criador considera importante aparecerem/acontecerem sejam elas quais forem (isso talves mude um bocado de criador para criador)."